segunda-feira, 15 de junho de 2009

ANA CLÁUDIA

Como pude ainda não ter escrito nada sobre Ana Cláudia, que só por possuir esse nome já deveria ter recebido vários versos de poesia, encantados de exuberante magia. Uma canção antiga seja entoada a essa jovem flor que me faz perder a razão diariamente, e que todo Amor que há na terra seja expresso nessas linhas mal traçada a você, Ana Cláudia...
Está com 21 anos, a precoce garota, que beijou pela primeira vez aos 12, teve um namorado mais velho aos 13 e com 15 anos já era mulher, no bom e no mal sentido, como queiram.
Mora numa casinha alugada na zona Norte de Sorocaba, os quatro cômodos pequenos, são divididos entre ela, a mãe, a avó e a irmãzinha de 11 anos. Pai? Bem, seria necessário outro texto só para comentar o assunto, mas Ana nem gosta de falar sobre, não serei eu a contrariá-la.
Ana Cláudia - pronunciaria esse nome por horas a fio - tem cabelos de nereida, poderia estrelar, sem muitos truques, um comercial de condicionador, tamanho o brilho e negrume de suas sedosas madeixas. Seus dentinhos são levemente salientes (mesmo depois de ter usado aparelho fixo durante anos) obrigando-a fazer biquinho toda vez que fecha a boca, difícil não sorrir diante de uma Ana séria, concentrada, ostentando espontaneamente um distraído e comovente biquinho.
Contribui quinzenalmente para o crime, adquirindo CDs e DVDs piratas “original é muito caro, um absurdo” a última vez que foi ao centro da cidade levou para casa o Cd do “Roupa Nova Acústico” e uma qualquer comédia romântica, dessas com finais parecidos. Chorou lendo o Best seller “Marley e Eu”, porém o autor que ela gosta mesmo é o genial Dan Brow, mistério e suspense; Ana fica sem fôlego.
Trabalha numa loja de roupas, o salário não é tão ruim e a comissão ajuda bastante; é claro que Ana sempre acaba gastando mais do que pode, sua coleguinha revendedora da Avon está enriquecendo nas custas da garota, que é consumidora assídua da indústria da beleza, mas ao final do mês ela sempre dá um jeito e as contas, principalmente o aluguel, são pagas sem atraso; sua mãe, que trabalha como doméstica num condomínio fechado, pega no pé da menina, chamando-a de compulsiva, consumista, mas no fundo sente muito orgulho da filha, percebe todo seu esforço e sua luta.
Ana é ligada em astrologia, consulta diariamente seu horóscopo, é do signo de Câncer; tem todo um lado transcendental, espiritual e místico, crê em energias e reencarnação (andou lendo uns romances espíritas, psicografados pelo espírito Lucius), tem em seu quarto um quadro da Iemanjá.
Gosta também de toda espécie de adornos que o corpo possa adquirir: bijuterias, brincos, correntinhas, piercing (nariz, umbigo e orelha), os hippies do centro são um dos comerciantes que a chamam pelo nome. Vai fazer uma Tatoo, está na dúvida entre fadinha, borboletinha ou estrelinha; independente do desenho vai fotografar e em seguida colocar as fotos no Orkut, sabe-se lá o que ela mais deseja: a Tatoo ou as fotos. Acha um luxo usar All Star, camisetinha e jeans. Seu estilo está entre desencanada, despojada e independente, é claro que acima de tudo opta por estar sempre simples, simples como a vida deve ser.
Branquinha, magra, delicada, metro e sessenta de altura, nem parece que come uma barbaridade quando está brava, ansiosa ou deprimida; sorvetes e lanches do Mcdonalds são terapêuticos para Ana que de uns tempos para cá tem andado um tanto quanto desiludida com os homens, “todos mentirosos e imaturos”, o último namorado prometeu o céu e as estrelas e acabou sumindo na claridade do dia, por isso mesmo que a garota anda fugindo das balanças ultimamente, em pensar que ela exigiu tão pouco daquele estúpido, queria ter sido apenas amada, deixa para lá.
Passou a virada de ano na praia, não conhecia Ilha Comprida, adorou, dançou como nunca e nem gastou tanto, se tudo der certo esse ano vai passar lá novamente.
Ana Cláudia não é só esmaltes, tintas de cabelos e brilhos labiais. Ela é a dura e bela rotina, que sai de casa sem sol e volta sem lua, que encontra tempo para sorrir, cantar, abraçar e chorar com a mesma intensidade brusca de sempre. É ela quem ouve e consola a amiga que brigou com o namorado; é ela quem pega ônibus lotado todo dia, e vez por outra até consegue dormir, imenso o cansaço; é ela quem comprou celular para a mãe, irmã e só não para a avó porque a velhinha está meio surda; é ela quem me deu forças para encarar os obstáculos das coisas que eu julgava grande e para ela faz apenas parte da trivialidade da vida; é dela esse texto:
“Perfeito o exercício que minha língua faz para clamar seu nome, Ana Cláudia, essência pura, viva e constante de pessoa na qualidade de Mulher, seu nome está tatuado a batom na minha pele, para sempre Ana Cláudia...”

4 comentários:

  1. Maravilhoso, suave e muito claro! Mandou bem, Vitão! Esterei sempre por aqui apreciando a boa leitura! Saudade. Beijo.

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  2. Valeu Teka, belas palavras, adorei.

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  3. Texto absolutamente PERFEITOOO...estarei sempre aqui lendo os seus textos. Acaba de ganhar uma leitora acidua!!! Beijos...

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  4. Liiiiiiiiiindissímo! Pois eu digo o mesmo: Já ganhou mais uma leitora!

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