domingo, 2 de maio de 2010

Rafael quer romper com Larissa

Olha, leia com atenção. Preste atenção ao menos uma vez na vida ao que eu digo. Saiba que sou eu quem termina essa relação, que sinceramente acabou no momento em que pela primeira vez nossos lábios se tocaram: você fechou os olhos e eu quis contemplar lucidamente a dinâmica efervescente do nosso beijo, olhos abertos, telespectador deleitando o clímax.
Larissa, decididamente foi um erro termos nos conhecido, arrependo-me friamente de ter retribuído seus olhares naquele dia nítido, seu olhar congelou e entorpeceu meus sentidos, deveria ter fugido, se soubesse onde iríamos chegar certamente eu teria fugido.
Nessa tarde vazia de sexta-feira, em que todo o mundo coletivamente se mune de calmantes modernos, eu queria, oh Deus como eu queria, que você ao menos chorasse sabendo do fim. Leria minhas linhas de despedida, borrando as letras com lágrimas, papel retendo gotículas salgadas. Passaria o final de semana no quarto úmido, pensando em nós, nos pequenos momentos - que seriam tão grandes nessa hora - sutis gestos, leria aquele verso ingênuo que te fiz. Sorriria, mesclando tristeza e resignação, com minha foto colada ao peito, ouvindo aquela canção, trilha sonora do nosso desgosto.
Perceberia a chuva cair gradativamente, o céus desabaria diante de seus olhos inertes, distantes. Sua mãe, maternalmente preocupada, confortaria-te abraçando-a muito forte: você vai sair dessa - diria ela. Você responderia entre soluços: De que jeito mãe? De que jeito?
Olha Larissa, você é tão baixa, tão estúpida e desumana, que eu duvido muito que lerá essa carta inteira. Sem contar que você é bem burrinha e ignorante - não se diz "para mim fazer" e sim "para eu fazer" - garota insensível que você é, tão desprezível e ignóbil.
Sei que passará rapidamente os olhos sobre essa carta e num ato prático deixará tudo isso de lado, você é bem maior que isso, né? Dará de ombros para essa infantilidade dramática de garoto sensível com baixa autoestima. Sairá numa boa com suas amigas cadelinhas como você, irão num barzinho, que você por puro mal gosto acha Cult,e rirá alto e prepotente dizendo num tom grave: "Homens são todos iguais, uns coitados".
Não diga isso, sou capaz... Veja bem, minha vontade era, com seu alicatinho de unhas, cortar o nervinho entre seus dedos da mão, você gritaria de desespero e eu sentiria prazer nisso. Merda, sei que está rindo disso, sabes que eu nunca faria tal coisa.
Larissa, odeio quando você me chama de Rafa, acho que percebeu e continua a chamar para provocar minha ira. Quase tudo em suas atitudes me deixa inseguro e amargo. Odeio seu excesso de maquiagem, parece uma vadia da babilônia, coloca aquele batom e fica fazendo biquinho em frente ao espelho. Usa tanto perfume, acho que para omitir sua podridão, que autoconfiança forjada.
Sua vulgar, suma da minha vida, não quero te ver mais nunca, apague-me da sua memória, não quero nem ouvir seu nome. Larissa perversa, desequilibrada, você morreu para mim, você merece o pior, torcerei sempre contra você. Inconsequente, irresponsável. Larissa desgraçada. Larissa maldita, maldita, maldita. Larissa mal caráter, vaca, interesseira. Larissa...Larissa... Eu te Amo.

8 comentários:

  1. Nivas
    A primeira coisa que pensei ao clicar para comentar, foram as palvras de Humberto Gessinger "Entre o real e o abstrato
    Entre a loucura e a lucidez".

    Então faço minhas as palavras dele:

    A Revolta Dos Dândis (Humberto Gessinger)

    Entre um rosto e um retrato, o real e o abstrato
    Entre a loucura e a lucidez,
    Entre o uniforme e a nudez
    Entre o fim do mundo e o fim do mês
    Entre a verdade e o rock inglês
    Entre os outros e vocês

    Eu me sinto um estrangeiro
    Passageiro de algum trem
    Que não passa por aqui
    Que não passa de ilusão

    Entre gritos e gemidos, entre mortos e feridos
    (a mentira e a verdade, a solidão e a cidade)
    Entre um copo e outro da mesma bebida
    Entre tantos corpos com a mesma ferida

    Entre americanos e soviéticos, gregos e troianos
    Entra ano e sai ano, sempre os mesmos planos
    Entre a minha boca e a tua, há tanto tempo, há tantos planos
    Mas eu nunca sei pra onde vamos

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  2. Uauuu! AHUAHU curti o garoto sensivel que ouve Los Hermanos.. AHUUHAUH
    POsso sar uma sujestão? não sobre o texto.. quem me dera.. mas letra branca, com fundo preto é um pouco desconfortável para ler..
    BJuusss

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  3. Valeu Dersão, humilhou no comentário...
    Jurema, puxa vida, muito obrigado viu, não é a primeira pessoa que fala isso.
    Valeu.

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  4. Nossa, amei esse texto muito legal mesmo
    parabéns victor,
    Letícia Rosendo ;)

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  5. demaais, meu querido gostei bastante.
    leva jeito mesmo em rapaaz
    HEHIOEHIOEHIOHEIHIEIHOE
    Abraço

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  6. Felicidades em encontrar vcs aqui comentando, Vitor e Letícia, muito obrigado.

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  7. Uau, Vi, muito bom!
    Parabéns, adorei mesmo! =)
    Muito bem escrito, ideias bem colocadas... Muito bom.
    Beijos!

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