segunda-feira, 4 de outubro de 2010

5475 DIAS

O ingrediente do tempo é de uma complexidade abissal, insolúvel por si só, de natureza ultra misteriosa, truncado quando visto de perto, mais ainda quando visto de longe. Incógnita universal. Não obstante, a temática "tempo" é assunto abordado diversas vezes nas mais variadas culturas, e tantos são os enfoques, as indagações, que as vezes torna-se difícil originalidade quando se pisa nesse solo temporal.
Não pretendo ser original. A motivação do texto que estou a redigir nessa noite, abarca fantasmas mais intrínsecos, composto de nostalgias feitas de vácuos. Pretensões literárias ficam em segunda ordem nesse abismo que me afundarei nessas linhas.
Realmente o tempo é incomensurável - calendários e relógios são tentativas vãs de se obter a ilusão de controle. Inapalpável, o presente corrido um segundo já é passado, que a três segundos atrás era futuro. Bem verdade que isso nem me causa espanto, confusão de conceitos e ideias, tentar entender é, como disse o sábio, "correr atrás do vento".
Mas o vácuo, esse sim causa a insônia que corta solitária a madrugada...
Vamos as reflexões que causaram tudo isso: tenho 26 anos, boa idade e memória, e numa retrospectiva panorâmica, que vou considerar a partir dos 7 anos, são poucas as reminiscências que considero nítidas até a idade dos 22 anos- vou deixar essa lacuna de 4 anos até minha atual idade, para que o passado se materialize. Esclarecendo para melhor entendimento, a linha de tempo entre 7 a 22 anos é de 15 verões, que para causar impacto, sendo mais sensacionalista até, vou converter em dias, 5475 no total.
Dias, linha de raciocínio que torna minha vida absurda nessa noite ou essa noite absurda na minha vida. 5475 dias e o que tenho são migalhas de lembranças, déjà vus opacos, acúmulos desordenados de fotografias antigas: primeiro beijo, aquela festa, perca irreparável, professora primária, frases, elogios, críticas...grandes fragmentos dissolvidos, que na verdade não devem representar 5% do que eu vivi. 5475 dias em que não consigo recriar, com fidedignidade, sequer um dia completo.
Grande parte dos 5475 dias vivendo da banalidade irrelevante, cotidianeidade que de tão medíocre e repetitiva a memória vai descartando como spams psíquicos. Tantos dias e tão nada ficou, inutilidade inexorável.
Perplexidade de na infinita escada, lembrar de poucos degraus, sempre subindo alheio, automático, chão que só serve de apoio para que se chegue, chegar ao lugar nenhum, quanto mais alta a escada tanto menos se lembra como lá chegou, até o momento de faltar forças para subir e tudo tornar-se plano, sem razões para que se olhe para trás, pois atrás será a repetição, o nada, o vácuo; vácuo esse que me pega pelas mãos e me faz ter passeios tão soturnos como esse. 5475 dias e uma ideia tão ignóbil como essa, texto para ser lido e esquecido, como tudo na vida, tamanha sua estupidez. Até eu, autor frustrado, talvez num futuro próximo, farto desse espaço, decida excluí-lo de uma vez por todas e esqueça que num dia escrevi isso, que pensei assim, que numa noite descobri o óbvio, mas custei a acreditar...5475 dias,

7 comentários:

  1. O tempo, o relativo, a resposta de tudo.
    O tempo não tem pressa.

    Parabéns pela dedicação sua aqui neste blog, meu querido. Abração.

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  2. Adorei o texto, meu caro. O tempo é de fato a resposta que não existe pra pergunta que não deveria ter existido. Um abraço.

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  3. sucesso meu amigo tá demais seu blog arrasaaaaaaaa

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  4. Valeu Pessoal. Vine, que definição fantástica.

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  5. http://www.youtube.com/watch?v=7y4gGu5mEWM&feature=related

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  6. nossa demais esse texto , fikei até refletindo agora kkkk

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  7. O tempo é uma criança que de repente acordou debaixo dos janeiros.

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